Sobre

Compa


Compa – Arquivo das Mulheres é o primeiro arquivo digital brasileiro totalmente dedicado à memória, histórias, lutas, conquistas, iniciativas, micropolíticas e revoluções cotidianas das mulheres e do movimento feminista no Brasil.

O arquivo se propõe a mapear, resgatar e disponibilizar publicamente coleções e acervos de camisetas, zines, panfletos, bandeiras, lambes, cancioneiros, poesia, broches, lenços, manifestos, e demais objetos, registros e memorabilia que documentem, articulem e elaborem transdisciplinarmente as narrativas e lutas em curso.

A coleção do arquivo é construída através de duas frentes:

  • Trabalho de pesquisa e curadoria em que convidamos mulheres e iniciativas que atuam em diferentes campos de ação para participar do esforço de documentação destas memórias
  • Construção coletiva a partir do engajamento autônomo de organizações, coletivos, movimentos de mulheres, ativistas e feministas independentes que queiram colaborar, disponibilizando seus acervos e materiais diretamente no arquivo.

Compa – Arquivo das Mulheres é um projeto da Despina em colaboração com a Lanchonete <> Lanchonete. A fase I de implementação do arquivo, realizada entre setembro e dezembro de 2020, foi patrocinada com recursos do Fundo Internacional de Ajuda do Ministério Alemão das Relações Exteriores da República Federal da Alemanha, do Goethe-Institut e de outros parceiros: www.goethe.de/hilfsfonds.

Pilares

Conceitualmente, Compa (abreviação para “companheira”, termo carinhoso usado entre aliadas de lutas) foi idealizado a partir de 3 pilares:

  1. O conceito de “history from below”, ou história vista de baixo, que se propõe a olhar para a história através da perspectiva das pessoas comuns, oprimidas, não conformistas e dos grupos marginais, reconhecendo e registrando relatos e conflitos que escapam à narrativa hegemônica dos grupos dominantes;
  2. O viés do feminismo interseccional, entendendo as lutas das mulheres como lutas contra opressões que se sobrepõem e que incluem para além do gênero questões raciais, de classe, de orientação sexual e outras;
  3. O reconhecimento da coletividade enquanto um campo de atuação revolucionário e necessário para imaginar outros mundos possíveis e ressignificar a lógica excludente dominante.

Carta às Compas

Os materiais incluídos neste arquivo procuram recuperar e conservar a memória das lutas das mulheres na resistência. Servem também de registro para nossos esforços coletivos rumo à construção de alternativas para superar as estruturas sociais, políticas e econômicas opressoras vigentes.

No entanto, estamos cientes de que o arquivo é incompleto e imperfeito na medida em que foi e é construído em um contexto marcado pelas mais diversas formas de opressões estruturais, tais como colonialismo, racismo, cisheteropatriarcado, desigualdades de classe, capacitismo etc. Deste modo, uma das nossas tarefas é ajudar a questionar o status quo destacando, por meio dos objetos compilados, as histórias e vozes historicamente marginalizadas e silenciadas.

Construir um arquivo colaborativo é uma tarefa que promove o envolvimento com o passado tanto quanto o comprometimento com o futuro. À medida que abastecemos coletivamente COMPA, estabelecemos o compromisso de aprender com os mais diversos movimentos e coletivos de modo a nos engajar em conversas com os múltiplos feminismos que estejam em consonância com os princípios articulados em nossos três pilares (História vista de baixo, Interseccionalidade e Coletividade).

Assim, convocamos coletivos e movimentos de mulheres e feministas a participarem desse projeto que deixará um legado de memória para todas nós.